Dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelos alunos no ensino da matemática

06/03/2012 12:05

Resumo

 

O presente trabalho trata das dificuldades de aprendizagem em Matemática. A ideia de desenvolver um estudo sobre essas dificuldades surgiu através de nossas experiências como educadores na rede pública municipal de ensino. Somos educadores de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental, na cidade de Ribeirão do Largo, Estado da Bahia. O enfoque do trabalho está nessas dificuldades apresentadas pelos alunos, do 5º ano do Ensino Fundamental, na aprendizagem da adição e da subtração com números naturais. O estudo observou e analisou quais as dificuldades enfrentadas por esses alunos proporcionando situações de agir-refletir-agir compatíveis com os objetivos educacionais, metodologias e conteúdos programáticos das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e o domínio por parte dos educadores do conhecimento pedagógico e científico da aprendizagem da criança com dificuldades. Foram coletados dados para os estudos; sistematizando levantamentos, observações e estudos, assim foi possível identificar quais as dificuldades enfrentadas pelos alunos da referida escola através de uma análise da frequência da participação dos pais no processo de ensino aprendizagem dos alunos, verificando as metodologias de ensino que contribuam para o aprimoramento da aprendizagem na matemática.

 

Palavras-chave: Dificuldades. Processo.  Aprendizagem. Educadores. Pais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abstract

 

This paper deals with learning difficulties in mathematics. The idea of ​​developing a study of these difficulties arose from our own experience as educators in the public municipal schools. We are educators of a School District elementary schools in the city of Ribeirão do Largo, State of Bahia. The focus of the work on these problems is presented by the students of the 5th year of elementary school, learning addition and subtraction with integers. The study observed and analyzed what are the difficulties faced by students providing situations to act-reflect-act consistent with the educational objectives, methodologies, and programmatic content of the lower grades of elementary school and the dominance of pedagogical knowledge of educators and scientific learning child with learning difficulties. Data were collected for the studies; systematizing surveys, observations and studies, so it was possible to identify the difficulties faced by students of this school through an analysis of the frequency of parental involvement in education in student learning, checking the teaching methodologies that contribute to the improvement of learning in mathematics.

Keywords: Difficulties. Process. Learning. Educators. Parents.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sumário

 

Introdução                                                                                                                         07

Capítulo I - Dificuldades de Aprendizagem

1.1Dificuldades de Aprendizagem em Matemática                                                    09

1.2 Relacionamento entre Professor-Aluno                                                                17

 

1.3 Papel da família                                                                                                                     17

 

 

Capítulo II – Diagnóstico e Levantamento

2. 1 Procedimentos Metodológicos                                                                                19

2.2 O local da Pesquisa                                                                                                   21

2.3 Caracterização da Escola                                                                                         22

2. 4 Caracterização das salas de aula                                                                          23

 

Capítulo III – Apresentação de Resultados

3.1 Apresentação e Análise de Dados                                                                         24

 

Considerações Finais                                                                                                    29

Referências Bibliográficas                                                                                           41

Apêndices                                                                                                                         43

                                                                                                                             

 

Introdução

 

Ao criticarmos a atual situação da educação brasileira, nos habituamos a enfocar determinados pontos, tratando-os como fatores determinantes do caos educacional. O presente trabalho trata das dificuldades de aprendizagem em Matemática uma das grandes preocupações na educação brasileira. A idéia de foi desenvolver uma pesquisa sobre essas dificuldades através de nossas experiências como educadores na rede pública municipal de ensino de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental, na cidade de Ribeirão do Largo, Estado da Bahia. Trata-se de uma escola pública cujos alunos são economicamente carentes e com sérios problemas familiares. O enfoque do trabalho está nas dificuldades apresentadas pelos alunos, do 5º ano do Ensino Fundamental, na aprendizagem da adição e da subtração com números naturais.

A iniciativa da proposta deste estudo deve-se à experiência dos professores durante toda a Educação Básica onde observamos que há um número significativo de crianças nas Séries Iniciais da sua escolarização que apresentam muitas dificuldades de aprendizagem. São crianças que estão condenadas ao fracasso antes mesmo que se esgotem todas as possibilidades didático-pedagógicas em alfabetizá-las, uma vez que não há uma sala psicopedagógica específica que atenda suas defasagens curriculares.

Se propusermos o presente estudo, acreditamos que se pode contribuir de forma bastante significativa para a superação das dificuldades de aprendizagem apresentadas por crianças que compõem uma parcela significativa da escola analisada, que não conseguem apreender as habilidades necessárias para o domínio e interpretação de cálculos.

No sentido de esclarecer alguns pontos para a qualidade de ensino desta disciplina, se faz necessária uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa de campo com questionários para professores e alunos que buscam entender através dos teóricos, conceito sobre dificuldade de aprendizagem em matemática, sua finalidade é colocar o pesquisado em contato com o que já se produziu e registrou a respeito do seu tema pesquisado. Entretanto as Dificuldades de Aprendizagem em Matemática pode está inserida em situação familiar, do contexto sócio-econômico, do currículo inadequado e da formação deficiente do professor. Trazendo transtorno posterior para os alunos nas séries seguintes. Esses problemas farão com que os alunos criem receio desta disciplina, não porque ela seja uma disciplina difícil, mas porque não encontrou facilidade em aprimorá-la.

O presente trabalho é fundamentado em autores como: BARROS (2006), DROWET (1995), FLORIANI (2000), FONSECA (1995), FRANCO (2005), GARCIA (1998), KINCHELOE (1997), LIBANEO (1994), LOPES (1999), MORAN (1998) e outros que muito contribuíram para um satisfatório levantamento bibliográfico. O objetivo do estudo é analisar as dificuldades enfrentadas pelos alunos no Ensino da Matemática do 5º ano do Ensino Fundamental Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes e proporcionar situações de agir-refletir-agir compatíveis com os objetivos educacionais, metodologias e conteúdos programáticos das séries iniciais Ensino Funda e o domínio por parte dos educadores do conhecimento pedagógico e científico da aprendizagem da criança com dificuldades. A problematização visa detectar quais as principais dificuldades enfrentadas pelos alunos no Ensino da Matemática do 5º ano das séries iniciais do Ensino Fundamental da Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes, a origem dessas dificuldades e as possíveis formas de intervenção para minimizá-las e, de certo modo, contribuir para a nossa prática pedagógica e de outros professores preocupados com a melhoria do processo de ensino-aprendizagem da Matemática.

Tal estudo foi desenvolvido na Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes de Ensino Fundamental, localizado na sede de Ribeirão do Largo-Ba. Os Estudantes do 5º ano da referida escola serão o público alvo, como a escola dispõe de duas turmas com 25 alunos cada, todos serão analisados conforme o instrumento de pesquisa, bem como os professores (dois) das referidas turmas, tanto aluno quanto os professores serão os informantes deste trabalho, tendo em vista que todos vivenciam as questões norteadoras desta pesquisa no seu cotidiano. A Coleta de dados foi realizada a partir de algumas etapas de trabalho. Essas etapas poderão ser concomitantes ou distintas no que diz respeito ao tempo destinado a cada uma delas. Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico para verificar os autores que fundamentaram a pesquisa. Em seguida uma visita técnica realizada para as observações iniciais (levantamento da característica da escola), desta forma poderá dar-se início ao desenvolvimento do trabalho escrito. Após as visitas técnicas realizadas foi adotada a atividade de aplicação do instrumento de pesquisa (questionários entre professores e alunos).

 

CAPÍTULO I – Dificuldades de Aprendizagem

1.1 Dificuldades de Aprendizagem em Matemática

Mesmo com todo o conjunto de fatores de diferentes ordens, geradores das dificuldades na aprendizagem da matemática, é sempre ao professor que cabe a tarefa de ensinar ou orquestrar uma sala de aula em que todos os aspectos descritos estão presentes e se combinam das mais diferentes formas.

Ensinar matemática a partir da leitura de seus conceitos e de sua simbologia certamente trará melhores resultados neste processo. Sabe-se que pensar matematicamente exige, desde cedo, um esforço de abstração e formalização o que demanda, por sua vez, desvincular o pensamento de propósitos e intenções imediatas. O que as crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de aprendizagem (DA) 1 têm em comum é o baixo desempenho inesperado. De acordo com o National Joint Committee on Learning Disabilities – NJCLD2, (1999, p. 21):

 

Dificuldades de aprendizagem’ é um termo genérico que diz respeito a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por problemas significativos na aquisição e uso das capacidades de escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio ou matemáticas. As dificuldades de aprendizagem raramente têm uma única causa. Supostamente têm base biológica (Lesão cerebral, alterações no desenvolvimento cerebral, desequilíbrios químicos, hereditariedade). Mas é o ambiente-família, escola, comunidade - que determina a gravidade do impacto da dificuldade.

 

Ao longo dessa revisão literária, pudemos observar que alguns autores, como Sara Pain (2002, p. 80), Alicia Fernández (2001, p. 78), Weiss (1999, p. 57), chamam atenção para o fato de que: O maior percentual de fracasso na produção escolar, de crianças encaminhadas a consultórios e clínicas, encontram-se no âmbito do problema de aprendizagem reativo, produzido e incrementado pelo próprio ambiente escolar.

Na pessoa com dificuldade, o desempenho não é compatível com a capacidade cognitiva; a dificuldade ultrapassa a enfrentada por seus colegas de turma sendo, geralmente, resistente ao seu esforço pessoal e ao de seus professores em superá-la, gerando uma autoestima negativa podendo também  surgir comportamento que causam problemas de aprendizagem, complicando as dificuldades na escola. Segundo Smith (2001, p. 32):

Os problemas na aprendizagem de Matemática que são apontados em todos os níveis de ensino não são novos: De geração a geração a Matemática ocupa o posto de disciplina mais difícil e odiada, o que torna difícil sua assimilação pelos estudantes. Por isso, antes de falar em dificuldades de aprendizagem em Matemática é necessário verificar se o problema não está no currículo ou na metodologia utilizada.

 

 

As dificuldades de aprendizagem bem como as deficiências no ensino da matemática constituem, já há algum tempo, preocupação para os estudiosos cujas investigações são dedicadas às questões inerentes à aplicação de metodologias no ensino da matemática, assim como ao refinamento da compreensão desta ciência tão discriminada pela exatidão de seus métodos. A falta de tempo do educador leva-o a certos impedimentos de modificar sua prática pedagógica tendo como referencial um plano que sane as dificuldades diárias. É esse obstáculo na vida profissional do professor, especificamente o de matemática, que o faz viver em constante reflexão acerca de quão grande problemática. "Resta acrescentar ainda que a união entre teoria e prática é talvez, uma das melhores formas de superar a mediocridade na educação escolar." (FLORIANI, 2000, p. 45)                  

Segundo Fonseca (1995, p. 70):

Dificuldades de aprendizagem (DA) é um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens, manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e do raciocínio matemático.

Mas a aprendizagem não se restringe apenas as dependências escolares, os fatores exógenos são de fundamental importância neste contexto educacional, pois diz respeito à natureza, à direção e ao ritmo do desenvolvimento. É neste sentido que a família é determinante no processo de ensino-aprendizagem, já que é a primeira fonte de relações sociais do individuo e neste seio é possível se estabelecer condições para que haja possíveis dificuldades de aprendizagem. A família e a escola têm papéis formadores, mas cada um com suas responsabilidades e com papeis bem definidos. Ambos ensinam e educam. Não é mais cabível e nem aceitável no mundo de hoje, que se tomem atitudes condenáveis em relação aos alunos com dificuldades de aprendizagem, tanto na escola quanto que em casa. A este respeito Néreci (1972, p. 12) afirma:

 

A educação orientar a formação do homem para ele poder ser o que é da melhor forma possível, sem mistificações, sem deformações, em sentido de aceitação social. Assim, a ação educativa deve incidir sobre a realidade pessoal do educando, tendo em vista, explicitar suas possibilidades, em função das autênticas necessidades das pessoas e da sociedade [...] A influencia da família, no entanto, é básica e fundamental no processo educativo do imaturo e nenhuma outra instituição está em condições de substituí-la. [...] a educação para ser autêntica, tem de descer a individualização, à apreensão da essência de cada educando, em buscas das suas fraquezas e temores, das suas fortalezas e aspirações [...] O processo educativo deve conduzir a responsabilidade, liberdade, critica e participação.

Portanto, em um primeiro momento este projeto visa detectar quais são estas dificuldades presentes nos alunos. O processo de ensino aprendizagem não pode ser tratado como algo isolado e único o espaço da sala de aula. Faz-se necessário que o trabalho educacional transcenda os muros da escola como praticas educativas que enlace o contexto social do aprendiz, proporcionando-lhe condições que possibilite o desenvolvimento da capacidade de "criar um conjunto, tendo em vista o conjunto social que está inserido, assim como diz Libaneo (2006, p. 17):

Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos e estes, ao assimilarem e recriarem essas influências, tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social.

Para Fonseca (1995, p. 67) “é comum o hábito de dizer que mandamos as crianças para a escola para aprenderem, o que faz com que tenha uma ruptura na curiosidade da criança que a faz criar”. Mas a este respeito que se faz um questionamento em torno da família: "Qual a importância da família no contexto da aprendizagem?” Sabe-se que qualquer aprendizado requer uma boa comunicação entre os participantes deste processo. “O bom gerenciamento das formas de comunicar-se é uma ação muito complexa” e Moram (2000, p. 38) explica o porquê:

O campo onde se decide realmente a comunicação é o pessoal, o intrapessoal, que interfere profundamente nas outras formas de comunicação [...]. A comunicação mais difícil é a intrapessoal: conseguir expressar as múltiplas vozes que se manifestam em nós, coordená-las, integrá-las e orientá-las para uma vivência cada vez mais enriquecedora.

E é neste sentido que este projeto surge também para enfocar a árdua missão de coordenar as "vozes internas" que canalizam a comunicação para o aprendizado como uma prática docente e desta maneira, propiciar um desenvolvimento crescente do alunado, tendo em vista que quanto mais pessoas conseguirem mudar, evoluir, tornar-se mais críticas e flexíveis frente as mudanças, mais facilmente a sociedade evoluirá, pois é em”cada um dos indivíduos que se definem as mudanças mais radicais que afetarão toda a sociedad”. (FONSECA 1995, p. 34) Para tanto, este projeto de pesquisa conta com a fundamentação teórica de alguns autores como Libaneo (2006, p. 23) que trata sobre a didática escolar; Fonseca (1995, p. 40) que trabalha em torno das dificuldades de Aprendizagem, além Marques (2000, p. 67) que norteia a questão da aula como processo.

Atualmente o tema dificuldade no aprendizado em Matemática tem sido objeto de pesquisas, palestras, encontros, com o objetivo de descobrir as origens de tantos problemas no ensino. Algumas questões são recorrentes nestes debates e pesquisas, tais como: A deficiência está no próprio sistema de ensino? Os professores não estão conseguindo lidar com o processo? Os alunos não estariam desmotivados? O que leva o aluno a não conseguir aprender Matemática e/ou outras disciplinas? Além dessas, muitas outras questões vêm sendo levantadas a fim de buscar uma resposta e possíveis soluções para os problemas enfrentados atualmente na educação. (SMITH, 2001, p. 25).

Todavia, o primeiro passo para discutir essas questões, é a compreensão do que vem a ser dificuldade de aprendizagem em Matemática. Ao tratar da questão da etiologia das dificuldades de aprendizagem em Matemática (DAM), observa-se que existem muitas interrogações e, com freqüência, não existe uma única causa que possa ser atribuída, mas sim várias delas conjuntamente. As causas das dificuldades podem ser buscadas no aluno ou em fatores externos, em particular no modo de ensinar a Matemática.

Quanto a aspectos referentes aos alunos, são considerados a memória, a atenção, a atividade perceptivo-motora, a organização espacial, nas habilidades verbais, a falta de consciência, as falhas estratégicas, como fatores responsáveis pelas diferenças na execução matemática. (SMITH e STRICK, 2001, p. 56)

Uma questão importante para compreender essas dificuldades refere-se à investigação que busca conhecer se o aluno com dificuldade de aprendizagem possui sintomas diferenciados no modo de processar os dados numéricos, ou se o processamento é semelhante ao de um aluno normal, existindo, no caso, um atraso significativo. Por isso o diagnóstico deve tentar identificar se os alunos com dificuldades de aprendizagem de matemática diferem quanto aos conceitos, habilidades e execuções em relação aos seus companheiros de igual ou menor idade, sem dificuldades de aprendizagem. Trata-se de determinar se os que apresentam dificuldades de aprendizagem alcançam seu conhecimento aritmético de maneira qualitativamente distinta daquelas sem essas dificuldades, ou pelo contrário, adquirem esse conhecimento do mesmo modo, porém com ritmo diferenciado. Sanchez (2004, p. 90) destaca que:

As dificuldades de aprendizagem em Matemática podem se manifestar nos seguintes aspectos: Dificuldades em relação ao desenvolvimento cognitivo e à construção da experiência matemática; do tipo da conquista de noções básicas e princípios numéricos, da conquista da numeração, quanto à prática das operações básicas, quanto à mecânica ou quanto à compreensão do significado das operações. Dificuldades na resolução de problemas, o que implica a compreensão do problema, compreensão e habilidade para analisar o problema e raciocinar matematicamente. Dificuldades quanto às crenças, às atitudes, às expectativas e aos fatores emocionais acerca da matemática. Questões de grande interesse e que com o tempo podem dar lugar ao fenômeno da ansiedade para com a matemática e que sintetiza o acúmulo de problemas que os alunos maiores experimentam diante do contato com a matemática.

Sanchez (2004, p. 56) destaca que “dificuldades relativas à própria complexidade da matemática, como seu alto nível de abstração e generalização, a complexidade dos conceitos e algoritmos”. A hierarquização dos conceitos matemáticos, o que implica ir assentando todos os passos antes de continuar, o que nem sempre é possível para muitos alunos; a natureza lógica e exata de seus processos, algo que fascinava os pitagóricos, dada sua harmonia e sua “necessidade”, mas que se torna muito difícil pra certos alunos; a linguagem e a terminologia utilizadas, que são precisas, que exigem uma captação (nem sempre alcançada por certos alunos), não só do significado, como da ordem e da estrutura em que se desenvolve.

Podem ocorrer dificuldades mais intrínsecas, como bases neurológicas, alteradas. Atrasos cognitivos generalizados ou específicos. Problemas lingüísticos que se manifestam na matemática; dificuldades atencionais e motivacionais; dificuldades na memória, etc. Dificuldades originadas no ensino inadequado ou insuficiente sejam porque à organização do mesmo não está bem seqüenciado, ou não se proporcionam elementos de motivação suficientes; seja porque os conteúdos não se ajustam às necessidades e ao nível de desenvolvimento do aluno, ou não estão adequados ao nível de abstração, ou não se treinam as habilidades prévias; seja porque a metodologia é muito pouco motivadora e muito pouco eficaz. Sanchez (2000, p. 174) Dentre os cinco aspectos supracitados, esse trabalho se concentrará nos tópicos que se referem às dificuldades de ordem intrínsecas ao indivíduo. Todavia, abordará essas dificuldades considerando apenas uma de suas dimensões, uma vez que podem ser consideradas sob duas perspectivas: o estudo das acalculias e o estudo das discalculias. A discalculia, segundo Johnson e Myklebust (2000, p. 08), refere-se a:

Um transtorno em relação ao aprendizado em matemática gerado a partir do momento em que o indivíduo sofre lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico e perde as habilidades matemáticas já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para a realização de cálculos matemáticos.

 

Percebe-se, pela definição apresentada, que não se pode controlar os fatores que levam à acalculia. Estudos e pesquisas devem ser desenvolvidos a fim de subsidiar o trabalho com a Matemática a ser realizado com aqueles que, por motivos diversos, podem passar a apresentar este tipo de dificuldade. Este artigo se concentrará no estudo da discalculia que é um transtorno de aprendizagem na área de matemática, caracterizada pela alteração na capacidade de realização de operações matemáticas abaixo do esperado para a idade cronológica, nível cognitivo e escolaridade.

Ressalta-se que não existe uma causa única que justifique as bases das dificuldades com a linguagem matemática, que podem ocorrer por falta de aptidão para a razão matemática ou pela dificuldade em elaboração do cálculo. Essa dificuldade não se relaciona com a ausência das habilidades básicas de contagem, mas sim com a capacidade de relacioná-las com o mundo. Espera-se que o aluno consiga desenvolver, além de outras aptidões, a capacidade de resolução de problemas e de aplicar os conceitos e habilidades matemáticas para desenvolverem na vida cotidiana, o que muitas vezes não ocorre quando são avaliadas habilidades e competências adquiridas pelos alunos em relação a esta disciplina.

De acordo com Johnson e Myklebust (2006, p. 15), “a dificuldade de aprender matemática pode ter várias causas, como desordens e fracassos em aritmética”. Existem alguns distúrbios que poderiam interferir nesta aprendizagem. Sendo eles:

 

 

 

 

 

 

 

 

Distúrbios da memória auditiva: O aluno não consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não conseguem guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas matemáticos. Problemas de reorganização auditiva, o aluno reconhece o número quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar do número com rapidez. Distúrbios de leitura: Os dislexos e pessoas com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz alta. É bom lembrar que os dislexos podem ser excelentes matemáticos, tendo habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo. Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação. Distúrbios de percepção visual: O aluno pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por não conseguirem se lembrar da aparência elas têm dificuldade em realizar cálculo. Distúrbios de escrita: Aluno com disgrafia tem dificuldade de escrever letras e números.

 

 

Estes problemas dificultam a aprendizagem da matemática, mas a discalculia impede o aluno de compreender os processos matemáticos. A discalculia é um transtorno de aprendizagem que causa a dificuldade em matemática. Este transtorno não é causado por deficiência mental, nem por déficits visuais ou auditivos, ou por má escolarização, por isso é importante não confundir a discalculia com os fatores acima citados. Para Johnson e Myklebust (2006, p. 98):

 

O aluno com discalculia é incapaz de visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior, co aluno observar quantidades, fazendo comparações entre maior ou menor massa, sequenciar e classificar números, compreender os sinais das operações básicas, montar operações, entender os princípios de medida, lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas, estabelecer correspondências ou contar através dos cardinais e ordinais.

 

O portador de discalculia comete erros diversos na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, nas habilidades computacionais, na compreensão dos números. Kocs (apud GARCIA, 1998, p. 56) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer combinações diferentes entre eles e com outros transtornos.

 

 

 

 

 

 

 

As classificações são: discalculia verbal, practognóstica, léxica, gráfica, ideognóstica e operacional. Uma breve descrição de cada uma destas discalculias será apresentada a seguir. 1. Discalculia verbal: dificuldades para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações. 2. Discalculia practognóstica: dificuldades para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente. 3. Discalculia léxica: dificuldades na leitura de símbolos matemáticos. 4. Discalculia gráfica: dificuldades na escrita de símbolos matemáticos. 5. Discalculia ideognóstica: dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos. 6. Discalculia operacional: dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

 

Os processos cognitivos envolvidos na discalculia referem-se a dificuldades na memória de trabalho, na contagem e em tarefas não verbais e escritas. O indivíduo com discalculia geralmente não apresenta problemas fonológicos, mas possui dificuldade nas habilidades visuo-espaciais, e nas habilidades psicomotoras e perceptivo táteis.

O transtorno na Matemática caracteriza-se da seguinte forma (SANCHEZ, 2004, p. 177):

 

A capacidade matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo não atinja à média esperada para sua idade cronológica. As dificuldades da capacidade matemática apresentada pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade. Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas ultrapassem aquelas que geralmente estão associadas. Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades lingüísticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos ou aritméticos, ou agrupamentos de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação) e matemáticas (dar seqüência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).

 

Observa-se, pelo exposto, que as dificuldades de aprendizagem em matemática podem ser diversas e que não existe uma forma única de solucioná-las em função de suas peculiaridades. Todavia, conhecer essas dificuldades possibilitará aos profissionais da educação, especialmente aos professores de matemática, condições de melhor analisar o desempenho de seus alunos a fim de propor alternativas para melhor conduzir o trabalho pedagógico com eles.

 

 

 

 

1.2 Relacionamento entre Professor-Aluno

 

 

O papel do professor no processo de aprendizagem do aluno é de extrema importância, pois sua postura e atitudes podem auxiliar o aluno em seus objetivos ou prejudicar ainda mais, caso haja algum transtorno de aprendizagem. “O professor deve estar sempre atento às etapas do desenvolvimento do aluno, colocando-se na posição de facilitador da aprendizagem e calcando seu trabalho no respeito mútuo, na confiança e no afeto” (DROWET, 1995, p. 89).

O professor não deverá forçar o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido. Tentar não mostrar impaciência com a dificuldade expressada pelo aluno ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala, são atitudes que fazem com que o aluno não se sinta mais seguro em relação aos colegas, ao professor e à sua própria dificuldade de aprendizagem, como também não corrigir o aluno frequentemente diante da turma e procurar sanar as dificuldades encontradas pelos alunos com relação à disciplina.  Para ajudar seus alunos o professor poderá explicá-los sobre suas dificuldades e tentar ajudá-lo sempre que precisar, procurando utilizar situações-problemas que envolvam o cotidiano do aluno, para que o conteúdo faça sentido para o indivíduo e que este se sinta motivado ao trabalhar com a disciplina.

 

 

1.3 Papel da Família

 

 

A compreensão da família frente às dificuldades encontradas pelo indivíduo é de extrema importância, uma vez que é nesse ambiente que ele vai buscar conforto para os seus possíveis problemas. Procurar observar e estar ao lado acompanhando os processos que a criança passa até chegar ao seu desenvolvimento pleno é um dever da família, principalmente se esta se encontra com dificuldades em qualquer âmbito, necessitando de maiores auxílio e atenção.

 

Deixar a criança se sentir segura no ambiente em que vive notando o carinho e dedicação da família auxilia no trabalho com alunos com esse tipo de transtorno e até atenua possíveis problemas que se desencadeiam por conta desses problemas como baixa autoestima, depressão e rejeição por parte de colegas e pessoas do convívio em geral. (SMITH, 2001, p. 37)

 

As dificuldades de aprendizagem em Matemática podem ocorrer por diversos fatores, sejam eles afetivos, cognitivos ou mesmo físicos. É imprescindível que haja uma preocupação maior com relação à educação do indivíduo na sociedade. Lidar com o aprendizado em Matemática se torna complexo a partir do momento em que não são sanados problemas que advém de muito tempo ou pelo menos que se trabalhe para a melhoria da qualidade do ensino. É importante que o sistema de ensino esteja adequado à realidade do aluno e que busque alternativas para desenvolver o cidadão de forma íntegra e participativa. O trabalho conjunto entre escola, pais, professores e alunos são imprescindíveis para que os problemas possam ser mais bem tratados e acompanhados ou até mesmo com que se evitem possíveis transtornos.

 

Para Johnson e Myklebust (2006, p. 34):

 

O sentido de discutir as possíveis causa dos problemas relacionados ao ensino-aprendizagem do aluno, foi observado que o sistema de ensino pode ser melhorado, tanto em relação aos professores, como participação da família, comunidade e melhoria da qualidade de ensino em geral. A discalculia precisa ser diagnóstica por equipe competente em relação ao aluno e acompanhada de acordo com a dificuldade encontrada por cada indivíduo. Cabe ao professor, buscar métodos de ensino que facilitem a absorção do aprendizado e motive o aluno a aprender e utilizar a criatividade a fim de resolver problemas que envolvem sua realidade e da sociedade como um todo.

 

Para que as habilidades em relação ao ensino da Matemática sejam alcançadas, faz-se necessário o empenho e envolvimento de todos, englobando mudanças de métodos de ensino, formação e trabalho do professor e hábitos de estudo e interesse dos alunos. Pode ser tratada futuramente também questão relacionada às percepções dos alunos quanto a esse processo de ensino aprendizagem, pois com uma visão de vários ângulos em relação ao assunto, se torna melhor e de mais qualidade a questão da discussão sobre o assunto, bem como proposta de melhoria na qualidade de ensino mais realista e palpável.

 

 

CAPÍTULO II – Diagnóstico e Levantamento

 

2. 1 Procedimentos Metodológicos

 

A metodologia do trabalho partiu da observação da realidade de cada um, uma vez que cada educando é um caso específico e para buscar uma solução das dificuldades de aprendizagem, requer a escolha de estratégias e atividades pedagógicas que busquem dar sentido aos problemas revelados.

A pesquisa encontrou-se configurada como uma pesquisa-ação de cunho qualitativo. Segundo Franco (2005, p. 67), “a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa que pretende a transformação da prática e uma avaliação e modificação do contexto”. Ou seja, ela parte “de uma situação social concreta a modificar e, mais que isso, deve se inspirar constantemente nas transformações e nos elementos novos que surgem durante o processo e sob a influência da pesquisa” (FRANCO, op. cit., p. 4). Os aspectos metodológicos de um trabalho de pesquisa são de suma importância, pois há inúmeras formas de metodologias de trabalho e a melhor adequação dos meios indicará a eficácia da pesquisa. Barros e Duarte (2006, p. 27) dizem que “há uma infinidade de discussões em torno das atribuições dos procedimentos metodológicos que regem a análise de um estudo, seja este de maneira qualitativa ou quantitativa”. Analisar de forma quantitativa é indispensável na maior parte das ciências. Em ciências sociais, os procedimentos quantitativos às vezes são menos valorizados por seu caráter reducionista, mas nem um procedimento analítico, seja qualitativo seja quantitativo não deixa de ser reducionista.

A quantidade é aquilo pelo quais as coisas semelhantes, mantendo-se firme a sua semelhança, podem diferir intrinsecamente. “Aquilo pelo quais as coisas dessemelhantes, mantendo-se firme a sua dessemelhança, podem ser semelhantes”. (WOLFF apud BARROS, 2006, p. 27).

Seja qual for o procedimento adotado: quantitativo ou qualitativo deve ser precedido por uma reflexão sobre as quais os atributos pelos quais os fenômenos estudados são dessemelhantes e podem ser ignorados em relação aos objetivos.

Os objetivos deste trabalho apontam para um desenvolvimento de estudo de campo para obter dados e observar situações e assim, para atender tais objetivos se faz necessário também. Tal pesquisa foi de caráter qualitativo visto que procurou verificar opiniões na forma de coleta de informações, além de analisar as diferenças e singularidades das variáveis apontadas pela metodologia adotada, de forma a entender os processos dinâmicos adotados pelos sujeitos da pesquisa, “visto que a metodologia é o domínio e reflexão sobre os processos e procedimentos desenvolvidos no interior da investigação” (LOPES, 2006, p. 94).

Como este estudo também visou propor novas metodologias de ensino que contribuam para o aprimoramento da aprendizagem na matemática, isso acaba por se caracterizar em uma modalidade de pesquisa e ação que podem e devem caminhar juntas quando se pretende a transformação da prática. No entanto, a direção, o sentido e a intencionalidade dessa transformação serão o eixo da caracterização da abordagem da pesquisa- ação. Kincheloe (1997, p. 56) afirma que “a pesquisa ação, que é crítica, rejeita as noções positivistas de racionalidade, de objetividade e de verdade e deve pressupor a exposição entre valores pessoais e práticos”. Isso se deve em parte porque a pesquisa-ação crítica não pretende apenas compreender ou descrever o mundo da prática, mas transformá-lo. A condição para ser pesquisa-ação crítica é o mergulho na práxis do grupo social em estudo, do qual se extrai as perspectivas latentes, o oculto, o não familiar que sustentam as práticas, sendo as mudanças negociadas e geridas no coletivo. Nessa direção, as pesquisas-ação colaborativas, na maioria das vezes, assumem também o caráter de criticidade.

Para tanto o estudo foi desenvolvido na Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes de Ensino Fundamental, localizado na sede de Ribeirão do Largo-Ba. Os Estudantes do 5º ano da referida escola serão o público alvo, como a escola dispõe de duas turmas com 25 alunos cada, todos serão analisados conforme o instrumento de pesquisa, bem como os professores (dois) das referidas turmas, tanto aluno quanto os professores serão os informantes deste trabalho, tendo em vista que todos vivenciam as questões norteadoras desta pesquisa no seu cotidiano.

Coleta de dados foi realizada a partir de algumas etapas de trabalho. Essas etapas poderão ser concomitantes ou distintas no que diz respeito ao tempo destinado a cada uma delas. Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico para verificar os autores que fundamentaram a pesquisa. Em seguida uma visita técnica realizada para as observações iniciais (levantamento da característica da escola), desta forma poderá dar-se início ao desenvolvimento do trabalho escrito. Após as visitas técnicas realizadas foi adotada a atividade de aplicação do instrumento de pesquisa (questionários entre professores e alunos). Para essa atividade foi construído um roteiro de questionários tendo como referência as observações feitas previamente. O material foi distribuído entre dois professores e cinqüenta alunos de salas diferentes, sendo vinte e cinco em cada.

 

2. 2 O Local da Pesquisa

 

O município de Ribeirão do Largo é constituído pela sede, pelo distrito de Nova Brasília, pelo povoado de Campinarana e algumas localidades, como Rio Bonito, São João, Boa Sorte, Água Bela, Jacaré, Cedro, Taquaraçu e Aragão. Limita-se com os municípios de Encruzilhada, Macarani, Itambé e Vitória da Conquista. O município de Ribeirão do Largo, desmembrado do município de Encruzilhada, foi criado em 03 de março de 1989 por lei Estadual nº 4850, publicada em Diário Oficial de 04 de março de 1989. A sede foi elevada à categoria de cidade, quando criou o município. Após a emancipação política, no primeiro pleito, o Sr. Paulo de Almeida Luz foi eleito prefeito da cidade juntamente com os nove vereadores que compuseram a Câmara Municipal. Juridicamente, o município pertence à Comarca de Encruzilhada. Por ainda não ter uma Paróquia, está religiosamente, subordinada à de Encruzilhada. A população ribeirense origina-se da miscigenação entre os primeiros desbravadores no início do século XX, escravos que aqui vieram, após a abolição e os índios imborés.A estimativa do IBGE para o ano de 2009 é para uma população de 14.528 habitantes conforme quadro abaixo,a população tem predominância rural e masculina e com menos de 35 anos. A taxa de analfabetismo é bastante significativa o que coloca o município com um dos mais baixos IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil.

No que se refere ao contingente populacional, em meados da década de 50, o IBGE, registrava a população de 450 habitantes para Ribeirão do Largo. Já em 1996, após a emancipação, apresentava um contingente populacional de 13.786 habitantes, tendo crescido a uma taxa de 0,76 AA., no seu primeiro período censitário 1991/1996. Atualmente, é um município eminentemente rural, com apenas 25% de sua população vivendo na sede municipal e no distrito de Nova Brasília. Em1996, adensidade demográfica do município é de 11hab/km², dado ainda inferior aos padrões estaduais e regionais. Contudo, considera-se de grande contribuição para o crescimento da taxa de urbanização à vinda de pessoas de outros municípios, estas a procura de novos empregos seja pela colheita de café nas fazendas da região, concursos públicos, prestação de serviços ou/e contratos de emprego. No que se refere à distribuição da população por sexo, os dados demográficos de 2000 identificados pelo IBGE indicam um sensível predomínio dos homens no município: 53,36% na área urbana e rural do município.

O município de Ribeirão do Largo possui IDH 0, 568 médio (PNUD/2000), PIB de R$ 47.736 mil (IBGE/20056) e PIB per capita R$ 2.577,00 (IBGE/2005). Com este índice de desenvolvimento humano do País, o município ocupa a posição de nº 5.135 no ranking dos 5.507 municípios brasileiros, segundo o censo do IBGE de 2000. Mostrando que urge ações séries e sistemáticas de combate à pobreza, ao analfabetismo e a baixa qualidade de vida na cidade.

 

2. 3 Caracterização da Escola

 

         A instituição escolhida para a pesquisa é a Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes, situada a Praça Valdemar Nogueira S/N na cidade de Ribeirão do Largo-BA. A escola funciona nos três turnos (60h) com 401 alunos, possui 09 salas de aula, 01 secretaria, 01 cozinha, 04 banheiros com o seguinte quadro de funcionários: 01 diretora e 01 vice-diretora, 01 coordenadora pedagógica, 03 secretários licenciados (sendo 02 auxiliares), 09 professores graduados em História, Letras, Geografia, Matemática e Normal Superior, 07 professores se graduando e 03 ainda não licenciados. A escola funciona de alfa à 4ª série do Ensino Fundamental. Pretende-se analisar as dificuldades que os alunos do 5º ano das séries iniciais do Ensino Fundamental I dessa instituição enfrentam no Ensino da Matemática, pois estes que participam do projeto são os que apresentam casos de multirrepetência, dificuldades de interpretação em matemática, dislexia e discalculia, entre outros pelos professores regentes da Escola e Equipe do projeto.

  1. 2.  4  Caracterização das salas de aula

Os alunos das salas entrevistadas apresentavam dificuldades de aprendizagem o que refletem em seus comportamentos em sala de aula. Muitos por terem dificuldade de aprender e não serem entendidos, tornam-se alunos agressivos, indisciplinados, desobedientes, impulsivos, exibicionistas, ou com instabilidade emocional que às vezes leva a comportamento adversos como: timidez, a insegurança, a apatia e até o isolamento. Portanto, pode-se considerar a aprendizagem como um fenômeno adaptativo complexo que pode ser influenciado por vários fatores. De certa forma esses fatores podem ser classificados em: biológicos, psicológicos e sócio-culturais.

Percebe-se que é preciso trabalhar maneiras diferentes, de acordo com a realidade de cada escola, para desenvolver a aprendizagem em nossos alunos, de maneira que todos independentes das suas dificuldades tenham capacidade de  adquirir  um raciocínio lógico de que o cerca, um entendimento do mundo em que está inserido. Percebemos nas salas pesquisadas uma certa indisciplina, crianças com problemas familiares, comportamentais graves; imposição de métodos pedagógicos ultrapassados; preconceitos sexuais, étnicos e sociais; desvalorização da profissão docente, em contradição às menções feitas no artigo 67º, constantes do Título VI da LDB/96; desmotivação, depressão: os docentes, muitas vezes, têm crise de identidade, sentindo-se incompetente  para realizar o seu trabalho em função da imagem ruim que a sociedade tem do que é ser professor; condições de trabalho precárias: escolas sem infra-estrutura; falta de incentivo para especialização dos docentes.

Aos professores sempre é atribuída à culpa quando algo dá errado. Se os alunos são malcriados e fazem muito barulho, é o professor que não tem autoridade nem rigidez, se os alunos não aprendem o problema é a incompetência do professor. A contribuição da família está cada vez mais rara nos dias de hoje e dessa forma, pode ser um fator contribuinte para a desarmonia dentro de nossas salas de aula.

 

CAPÍTULO III – Apresentação de Resultados

 

3.1 Análise de Dados

Percebeu-se a partir de nossas reflexões que o ensino da matemática aplicado na instituição estudada, caracteriza-se por ser extremamente mecânico, através do abuso do processo de memorização de fórmulas e cálculos conseguindo um efeito de automatização que difere muito do ideal a ser conseguido na educação. Enquanto que o papel da escola em relação ao ensino da disciplina é capacitar o aluno a desenvolver seu potencial de modo que ele possa criar paralelismos com as suas situações cotidianas, sendo assim, ela deve estar preparada, metodologicamente e funcionalmente, para atender a estas exigências que basicamente tratam de mudanças essenciais para o interesse e o desenvolvimento matemático do aluno. Ora, se os alunos, no início do processo escolar, possuem maior facilidade para aprender a matemática e depois diminuem o interesse, é falha do processo educacional desgastar este mesmo estímulo inicial.

Este desgaste ocorre porque no início da educação os professores tendem a respeitar mais as descobertas individuais dos alunos sendo que com o passar dos anos o ensino mecanizante passa a sobrepor o estilo que justamente seria o mais próximo do ideal.  (MAYER, 1992, p. 45)

Um exemplo de que a dificuldade de aprendizagem em matemática é evidente, foi à experiência obtida com a primeira fase do projeto (questionários). Eram classes composta por vinte e cinco alunos em cada sala onde quinze reprovaram em Matemática. Então para poder analisar as causas que levaram a um índice tão alto de notas baixas foi feita uma pesquisa de campo, onde a amostra foram esses quinze alunos reprovados nas unidades anteriores.  Os alunos colocaram que não estudavam e não gostavam da matéria ou não gostavam e não tinham interesse pela disciplina. Disseram que já haviam repetido o ano por causa da Matemática. Alegaram a falta de estudo e de interesse, a infrequência nas aulas, a dificuldade que tinha em entender os conteúdos e que também não gostava da matéria. A pesquisa foi feita através de questionário escrito, entregue a alunos e professores (apêndices). Os professores entrevistados acreditavam que na prática pedagógica fazia com que os alunos que se interessassem pela disciplina conseguissem aprender os conteúdos trabalhados na medida do possível, pois  segundo o professor, tentava  integrar os conteúdos matemáticos com a realidade do aluno dentro das características daquela comunidade. Mas ele foi sincero também, ao dizer que isso nem sempre é possível. Quando foi questionado quanto às dificuldades daqueles alunos que reprovaram, sem exitar responderam que se deve a falta de interesse, estudo e a própria ausência nas aulas, falta de uma participação mais efetiva dos pais.

 A maioria dos alunos que se reprovaram, tinham mais faltas no diário que presença. E quando vinham para aula se recusavam direta ou indiretamente de participar das mesmas. Ao perguntar se os conteúdos trabalhados estavam de acordo com o nível de conhecimento desses alunos, os professores responderam, que sim, se não fosse a falta dos conceitos básicos que eles possuíam. Ainda esclareceram que muitos haviam sido reprovados e tinham grandes dificuldades com a tabuada, regra de sinais, operações com números decimais e outros, e ainda haviam feito nos primeiros dias de aula uma revisão sobre os conceitos essenciais da matemática básica e só depois iniciou o conteúdo específico daquela fase.  Quanto ao tratamento diferenciado com os alunos com dificuldades, ocorria que os poucos interessados questionavam – nos deixando a par dos seus conceitos, mas a maioria não perguntava, não participava e era arredia a nossa tentativa de aproximação. Somos professores da mesma rede de ensino, com freqüência participamos de cursos de aperfeiçoamento tentando buscar novos conhecimentos, tanto que temos várias horas de cursos e não estagnamos na faculdade. Depois da graduação não paramos mais, contudo, os professores entrevistados ainda não chegaram à faculdade (exceção na escola entrevistada, pois a maioria já se graduou). Para recuperar esses educandos é necessário primeiramente um trabalho social, de motivação e encorajamento, juntamente com os familiares dos alunos. É muito importante que o jovem sinta amado pelos seus parentes e que o mesmo sinta ser capaz para tal tarefa.

Suas vidas refletem a da maioria do povo brasileiro.  Famílias grandes onde os pais ganham pouco e os filhos têm que trabalhar para ajudar em casa. Também se observa que não têm o hábito de praticar esportes.

Portanto através da pesquisa de campo mostrou-se que um dos grandes problemas que impedem a aprendizagem além das dificuldades sociais é a falta de estrutura das escolas para atender as necessidades dos alunos e família sem compromisso. Precisamos buscar um tipo de avaliação no qual possamos privilegiar o processo no qual se encerra a aprendizagem, e não somente o aluno enquanto um produto.  Normalmente, nós, professores, pouca ou quase nenhuma experiência realizamos e, quando o fazemos, não vai muito além de trocas de métodos, técnicas ou seqüências curriculares.

Para isso foi desenvolvido um estudo teórico a respeito das dificuldades na aprendizagem de Matemática nas séries iniciais e um estudo prático, no qual investigou-se os principais erros cometidos pelos alunos. Ao todo contamos com 50 alunos ao todo, na faixa etária de 9 a 14 anos, porém desses, apenas quinze foram responderam ao questionário. Os erros observados e as estratégias propostas neste trabalho não permitem uma generalização a respeito dos erros encontrados no dia-a-dia de uma sala de aula e das possíveis estratégias a serem utilizadas para superação de tais dificuldades.

No cotidiano das salas de aula é possível perceber nos alunos certa dificuldade na aprendizagem, quando este, está relacionado com conceitos matemáticos. Também a falta de tempo do educador leva-o a certos impedimentos de modificar sua prática pedagógica tendo como referencial um plano que sane as dificuldades diárias. É esse obstáculo na vida profissional do professor, especificamente o de matemática, que o faz viver em constante reflexão acerca de quão grande problemática. "Resta acrescentar ainda que a união entre teoria e prática é, talvez, uma das melhores formas de superar a mediocridade na educação escolar." (FLORIANI, 2000, p. 56)

Frequentemente, ouvimos professores lamentando que os alunos não gostam da matemática e que têm dificuldade de resolver pequenas operações e por isso são discriminados em sala de aula. Porém, vale salientar as palavras de Piaget (1985, p. 90): "Os educadores, todos nós, precisamos encontrar formas eficientes de ensino e aprendizagem em nossa sociedade...". Perante tal situação este projeto surge na tentativa de sanar as dúvidas que cercam tal problemática, no contexto da reflexão sobre o processo de ensino aprendizagem, atento tanto as características do aluno quanto as características do professor, já que ambos são imprescindíveis à compreensão do contexto da aprendizagem escolar. Dessa forma, para melhor verificar as dificuldades de aprendizagem foi elaborado um questionário para investigar junto a professores de Matemática a sua percepção sobre os fatores que levam ao insucesso em matemática. Esses questionários foram analisados no sentido de observar as percepções dos professores em relação aos aspectos que dizem respeito ao desenvolvimento cognitivo, como raciocínio lógico, dedução, entre outros, e afetivos dos alunos nos mais diversos contextos, a fim de descobrir quais as maiores dificuldades encontradas por eles e pelos próprios professores em relação ao ensino e aprendizado da matemática.

O estudo levou a observar e analisar quais as dificuldades enfrentadas pelos alunos no Ensino da Matemática do 5º ano das séries iniciais do Ensino a fundamental da Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes. Proporcionando situações de agir-refletir-agir compatíveis com os objetivos educacionais, metodologias e conteúdos programáticos das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e o domínio por parte dos educadores do conhecimento pedagógico e científico da aprendizagem da criança com dificuldades. Foram coletados dados para os estudos; sistematizando levantamentos, observações e estudos, assim foi possível identificar quais as dificuldades enfrentadas pelos alunos do 5º ano das séries iniciais da referida escola através de uma análise da frequência da participação dos pais no processo de ensino aprendizagem dos alunos, verificando as metodologias de ensino que contribuam para o aprimoramento da aprendizagem na matemática. As hipóteses levantadas acerca do problema são: Os alunos não são acompanhados pela família em suas atividades escolares; os docentes não utilizam metodologias e didáticas apropriadas para trabalhar com os alunos os conceitos matemáticos; os alunos não apreciam a disciplina, portanto não se interessam pelo aprendizado.

De uma maneira sensata, devemos colocar para nossos alunos as mudanças gradativamente. Não, impulsionados por mudanças bruscas e impostas através de ameaças ou avaliações.  A avaliação não deve ser uma arma nas mãos do professor para castigar alunos tidos como indisciplinados ou para matar o tempo em sala de aula. Da mesma forma, não deve servir apenas para registros de resultados sejam eles bimestrais, trimestrais ou semestrais, estabelecendo uma rotina de tarefas e provas desvinculadas de uma razão de ser no processo de construção do conhecimento.

A avaliação assim como a mudança da nossa prática pedagógica deve ser diagnóstica e processual. Deve acontecer aos poucos, conforme a necessidade e o desenvolvimento do aprendizado dos alunos. A escola que deveria solidificar formações na sociedade a faz de forma discriminada, pois tantas são as rejeições e descasos com a qualidade dos educandários públicos que os mesmos perderam o prestígio. Restando ao professor a responsabilidade de reparar essas fraquezas com uma qualidade de ensino igualitária à qualidade que é vista nas escolas particulares.

"O professor que quer voltar-se para a solução de problemas pedagógicos, orienta-se pela perspectiva das inter-relações entre sociedade e educação escolar." (FLORIANI, 2000, p. 89)

"Com ou sem prova, o método tradicional de ensinar resulta francamente num único tipo de aprendizagem: memorização". (KLINE, 1976 p. 22)     Amplas atitudes de modificação do currículo tradicional e diversas críticas foram feitas com fundamentos relevantes quanto à aplicação de processos mecânicos enfatizados pelo currículo tradicional que apresenta mais tendências à memorização do que à compreensão. "Nos últimos anos, reformulações curriculares e novas propostas pedagógicas se fazem presentes nos meios escolares, e os responsáveis pelo ensino têm-se mostrado sensíveis a elas. Mas sua aplicação encontra várias dificuldades, além das habituais resistências à mudança." (MICOTTI, 1999, p. 08) Esta matemática "antiga" traz consigo que os alunos devem aprender por tentativa incessante de repetição para memorização do conteúdo donde dever-se-ia auxiliá-lo a compreender o fundamento lógico deste processo de aprendizagem.

"O ensino da matemática ainda é marcado pelos altos índices de retenção, pela formalização precoce de conceitos, pela excessiva preocupação com o treino de habilidades e mecanização de processos sem compreensão". (PCN's, p. 15).

Considerações Finais

 

É preciso lembrar que a atitude educativa autêntica não consiste somente dos problemas pedagógicos e sim encontrar a melhor solução possível, em presença dos diferentes fatores encontrados na matemática, pois confiam-nos os alunos e somos responsáveis pela sua educação, trairíamos a nossa função humana, se não nos esforçássemos por explorar ao máximo as possibilidades  que cada indivíduo tem em si. Certos de que há muito a se questionar sobre o fracasso no ensino da matemática na vida dos educandos e o que se pode fazer para amenizar este grave problema educacional, encontramos caminhos que devem ser trilhados, para que, desta forma, possamos tornar a matemática uma disciplina agradável e estimuladora, enfim despertar tanto nos educandos como nos professores a importância que a matemática tem na construção do saber e como pode se tornar agradável para todos se for trabalhada de uma forma correta e estimuladora, excluindo do nosso meio a distorcida idéia de que a matemática é uma disciplina para os gênios ou que é sinônimo de fracasso para a grande maioria.

É um grande desafio identificar, diagnosticar e conhecer como a aprendizagem do aluno passa a ser satisfatória, para sua vida acadêmica e para sua autoestima. É necessário atenção para não rotular, condenando um aluno para o resto de sua vida. As dificuldades de aprendizagem ainda são assunto pouco explorado nas escolas. O diagnóstico equivocado leva a encaminhamento para tratamentos desnecessários e à exclusão, tirando a oportunidade do aluno de superar suas dificuldades. É preciso levar o tema para dentro da escola - não como assunto pontual, mas numa discussão permanente -, contemplando as diversas dimensões da vida do aluno, como mais um instrumento para seu desenvolvimento integral, visto que as dificuldades de aprendizagem não têm como causa apenas um fator. Falar de dificuldade em Matemática é simples quando dizem que se trata de uma disciplina complexa e que muitos não se identificam com ela. Mas essas dificuldades podem ocorrer não pelo nível de complexidade ou pelo fato de não gostar, mas por fatores mentais, psicológicos e pedagógicos que envolvem uma série de conceitos e trabalhos que precisam ser desenvolvidos ao se tratar de dificuldades em qualquer âmbito, como também em Matemática.

            Para pensar numa mudança é preciso antes de tudo coragem, necessário ousar, criar e experimentar, ir em buscar de mudança de paradigmas para testar e avaliar o potencial de nossos alunos e vê-los sob uma perspectiva de competência.  Mas isso significa antes de tudo uma avaliação de nós mesmos enquanto profissionais. A matemática é sempre encarada como difícil. Mas em alguns casos isolados, professores entusiasmados colocam vida ao assunto, tornando-o excitante e menos difícil de ser compreendido. Sempre que os alunos são encorajados a pensar e refletir sobre o que fazem, adquirem autoconfiança, desenvolvendo sua autonomia e, conseqüentemente, o raciocínio matemático. Quando o aluno adquiriu condições de criar caminhos próprios que facilitam a resolução de seus problemas. E a percepção do erro e a busca de sua superação são a resposta certa e o caminho para a elaboração de novos conceitos.

            Uma das causas do desinteresse pela matemática por parte dos alunos, como vimos através das pesquisas, está na formação dos professores. Formação esta fundamentada nos pressupostos do ensino tradicional. E é este pensamento que falta na formação da maioria dos professores.  Tendo em vista está dificuldade em trabalhar de maneira adequada pela falta de preparos, muitos se acomodam e desanimam  em mudar,  continuando as aulas de forma expositivas com o uso exclusivo do quadro, giz, livro didático e lista de exercícios  fora da  realidade do aluno,  isso  faz  com que os  alunos  encarem  a matemática como uma disciplina muito difícil.

            A metodologia de ensino deve centrar-se mais no desenvolvimento de habilidades que estimulem uma aprendizagem permanente, levando os  alunos  a aprender a aprender, aprender a pensar e aprender a construir o conhecimento de forma autônoma. Deve propiciar atividades sustentadas numa metodologia tecnicamente consistente e eticamente correta, visando uma aprendizagem compartilhada, cooperativa e solidária na resolução de problemas. O professor deve reconhecer que o conflito faz parte do processo de aprendizagem. Para melhorar a qualidade de ensino é preciso estar abertos para mudar, e não acomodados. Se necessário, mudar nossa visão ou pelo menos refletir sobre a concepção de ensino que permeia nossa prática cotidiana. Isso significa repensar toda prática pedagógica, sobretudo no que se refere à avaliação da aprendizagem.

É necessário também se atualizar, procurar motivação para aprender a ensinar. Integrar-se em perspectivas novas que vão de encontro às necessidades e a realidade do aluno. O professor que direciona seu fazer pedagógico no sentido de desenvolver a autonomia de seus alunos, é aquele capaz de formar cidadãos conscientes e aptos para atuar e modificar a sociedade. Percebemos também segundo os professores que os pais mais direcionados à tarefa extra-classe dos alunos são os mais esclarecidos, portanto, uma visão mais cuidadosa por parte da família estimula bons resultados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências:

BARROS. Antonio & DUARTE. Jorge. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2006.

DROWET, Ruth Caribe da Rocha. Distúrbios da aprendizagem. São Paulo: Ática, 1995.

FLORIANI, José Valdir. Professor e Pesquisador (exemplificação apoiada na matemática). 2.ed. Blumenau: FURB, 2000.

 

FONSECA, Vitor. Introdução às Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1995.

FRANCO, Maria Amélia Santoro. Pedagogia da pesquisa-ação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 483 – 502, set./dez 2005. Disponível em: < http:// www.scielo.br/pdf/ep/v31n3/a11v31n3.pdf >. Acesso em: 18 de junho 2011.

 

GARCIA, Jesus Nicassio. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

 

JOHNSON E MYKLEBUST. Enciclopédia livre: Discalculia. Disponível em Acesso em: 18/06/2011.

KINCHELOE, J. L. A formação do professor como compromisso político: mapeando o pós-moderno. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

LIBANEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

LOPES, Maria Immaculada Vassalo. Pesquisa em Comunicação. São Paulo: Loyola, 1999.

MORAN, José Manuel. Mudanças na Comunicação Pessoal: Gerenciamento Integrado da Comunicação Pessoal e Tecnológica. São Paulo: Paulinas, 1998.

NÉRECI, Imídeo G. Lar, escola e educação. São Paulo: Atlas, 1972.

OMOTE, Sadão. Medida de Atitudes Sociais em Relação a Inclusão. Universidade Estadual

Paulista: São Paulo, 2002.

 

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Matemática. Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/ SEF, 1998.

 

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.Parte inferior do formulário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apêndices

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL - IDHESP

CURSO: PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL COM ÊNFASE EM RECURSOS HUMANOS

 

QUESTIONÁRIO PARA A REALIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO – PROFESSOR

Instruções: Cada uma das frases abaixo expressa o sentimento que cada pessoa apresenta com relação à matemática. Você deve comparar o seu sentimento pessoal com aquele expresso em cada frase, assinalando um dentre os cinco pontos colocados abaixo de cada uma delas, de modo a indicar com a maior exatidão possível, o sentimento que você experimenta com relação à matemática.

 

 

  1. Quais      são as dificuldades enfrentadas pelos alunos do 5º ano da Escola Municipal      de 1º Grau Tiradentes com relação à disciplina de Matemática?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Diante      das dificuldades dos alunos como você analisa esse problema?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Usando      sua prática pedagógica o que poderia amenizar as dificuldades de      aprendizagem pelos alunos?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

  1. Qual      o papel do professor no trabalho com os alunos com dificuldades do ensino      da Matemática?              

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Como você costuma trabalhar a disciplina      de matemática? Com que frequência?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Os      meios utilizados por você são suficientes para interpretação das      atividades de Matemática? Justifique?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Que      prática pedagógica você costuma utilizar com relação à resistência dos      alunos à disciplina de matemática?

_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

8. Você costuma incentivar o aluno às atividades extra-classe? Como?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

9. Você como educador tem hábito de problematizar questões? Justifique a importância?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

   10. Qual o tipo de conteúdo que você mais gosta de trabalhar com os alunos?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

11. Atualmente qual o diagnóstico que você faz dos alunos no conhecimento da matemática?

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

12. Que estratégia (construtivista ou condutista) você utiliza para ensinar matemática para seus alunos?

_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

13.  A que você atribui o desinteresse dos alunos pela matemática escolar?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

14. A que você atribui os baixos índices de rendimento escolar medido pelo IDEB, Prova Brasil, etc.

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

15. Há algo que te impede de atingir plenamente todos seus objetivos como educador? Comente.

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

16. Há quanto tempo ministra aula de matemática?

____________________________________________________________________________________________________________________________

17. Outras considerações que julgue pertinentes.

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

Agradecemos pela sua colaboração para a realização do nosso trabalho!

 

 

 

 

 

 

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL - IDHESP

CURSO: PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL COM ÊNFASE EM RECURSOS HUMANOS

 

QUESTIONÁRIO PARA A REALIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO – ALUNOS

 

Questionário aplicado aos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de 1º Grau Tiradentes

 

 

1. Eu não gosto de matemática e me assusta ter que estudar essa matéria.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

2. Eu acho a matemática muito interessante e gosto das aulas.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

3. Eu fico sempre sob uma terrível tensão na aula de matemática.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

4. A matemática é fascinante e divertida.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

5. A matemática me faz sentir seguro (a) e é, ao mesmo tempo, estimulante.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

6. “Dá um branco” na minha cabeça e não consigo pensar claramente quanto estudo matemática.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

7. Eu tenho uma reação definitivamente positiva com relação à matemática: Eu gosto e aprecio essa matéria.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

8. A matemática me deixa inquieto (a), descontente, irritado (a) e impaciente.

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

9. O sentimento que tenho com relação à matemática é bom.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

10. A matemática me faz sentir como se estivesse perdido (a) em uma selva de números e sem encontrar a saída.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

11. Eu me sinto tranquilo (a) em matemática e gosto muito dessa matéria.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

 

12. Quando eu ouço a palavra matemática, eu tenho um sentimento de aversão.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

13. Eu encaro a matemática com um sentimento de indecisão, que é resultado do medo de não ser capaz de realizar as atividades.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) Indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

14. Eu gosto realmente de matemática.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

15. A matemática é uma das matérias que eu realmente gosto de estudar.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

16. Pensar sobre a obrigação de resolver um problema matemático me deixa

Nervoso (a).

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

17. Eu nunca gostei de matemática e é a matéria que me dá mais medo.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

 

18. Eu fico mais feliz na aula de matemática do que na aula de qualquer outra matéria.

 

( ) Discordo totalmente ( ) Discordo ( ) indiferente ( ) Concordo ( ) Concordo totalmente

 

19. Você gostaria de melhorar seus conhecimentos sobre matemática?

Sim ( ) não ( )

 

20. Você estaria disposto a participar de um grupo para melhorar seus conhecimentos sobre matemática?

 

Sim ( ) não( )

 

 

Agradecemos a participação